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Holiday Season – rotinas viradas do avesso e memórias no lugar

A holiday season nunca chega silenciosa. Ela entra em casa com horários trocados, mesas sempre postas, luzes acesas mais cedo e uma certa desordem que se instala sem pedir licença.

Durante as férias de Natal, a casa deixa de obedecer às rotinas habituais. Há mais gente, mais movimento, mais migalhas no chão e menos pressa em arrumar. E, curiosamente, é nesse desequilíbrio que tudo parece fazer mais sentido.

Não é um caos pesado — é um caos bonito. Um caos que vive.

A cozinha está quase sempre em uso, os objetos ficam onde caíram, os brinquedos não regressam às caixas. A casa conta, em silêncio, aquilo que os dias têm sido: longos, cheios, imperfeitos e bons. Não há tentativa de esconder nada. Há apenas vida a acontecer.

Talvez por isso sinta tanta vontade de pegar na máquina nesta altura do ano. 

Não para organizar a cena, nem para criar imagens perfeitas, mas para eternizar os momentos. Reparar na luz que entra pela janela no fim da tarde, nos gestos distraídos, nas pequenas interações que passam despercebidas quando estamos ocupados a manter tudo em ordem.

O meu olhar quer contar aquela história — há intenção, composição, sensibilidade estética. Mas há, acima de tudo, espaço para o real. Para aquilo que não foi ensaiado. Para o que acontece mesmo quando ninguém está a “posar”.

Gosto de fotografias que parecem simples à primeira vista, mas que carregam histórias. Uma mesa ainda por levantar. Um canto da sala que denuncia um dia inteiro vivido ali. Um abraço rápido, uma pausa, um detalhe esquecido.

São imagens que não existem para impressionar, mas para guardar.

Nem todas as fotografias destas férias vão parar às redes sociais. Algumas ficam apenas para nós, para mais tarde. Para quando a casa estiver outra vez arrumada, as rotinas retomadas e este caos bonito parecer distante demais.

Fotografar, para mim, é isso: transformar o quotidiano em memória. Não o idealizado, mas o verdadeiro. A casa como ela é, as pessoas como estão, os dias como passam.

Se este texto te fez reconhecer beleza no teu próprio caos — numa casa desarrumada, numa rotina suspensa, num Natal vivido sem filtros — talvez seja isso que a fotografia pode fazer: ajudar-te a ver o valor do que já existe.

E se quiseres guardar este tipo de memória, com leveza, intenção e verdade, o meu trabalho passa exatamente por aí.

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