Há uma beleza que não pede palco. Não faz barulho. Não avisa que está a acontecer.
Vive nos momentos in between.
Na fumaça que sai da chávena de café antes de todos acordarem. Na luz que entra pela janela às cinco da tarde. Nos passos lentos de uma caminhada sem destino definido.
Nas páginas escritas do meu journal.
Estamos sempre à espera do grande momento: da viagem, da conquista, da mudança.
Mas a vida — a verdadeira — acontece no meio.
Entre uma tarefa e outra.
Entre quem fomos ontem e quem estamos a tornar-nos.
Entre o que planeámos e o que simplesmente é.
Tenho aprendido a ficar nesses espaços.
A caminhar sem fones, só para ouvir os meus próprios pensamentos ( e eu sou uma verdadeira overthinker!).
A escrever no meu journal mesmo quando “não há nada para dizer” mas parece haver tanto no que tentamos gerir dentro de nós.
A deixar que o dia seja simples. Imperfeito. Vivo.
Caminhar organiza-me por dentro. É como se cada passo colocasse uma ideia no lugar.
Escrever acalma-me. Dá nome ao que sinto. Cria espaço.
São pequenos rituais, quase invisíveis. Mas, que mudam tudo.
Talvez aproveitar os moments in between seja isto: abrandar o suficiente para reparar.
Na forma como a luz toca a mesa. No silêncio confortável de estar em casa. No som dos nossos próprios passos.
Não é sobre fazer mais. É sobre estar onde realmente estamos. Aceitarmos esse momento por mais imperfeito que nos pareça.
Aceitarmo-nos com todas as emoções e pensamentos que abrigamos.
Se puderes, esta semana: faz uma caminhada sem pressa, escreve três linhas sobre o teu dia, observa a luz.
E deixa que os momentos in between também contem.